O eco dos anos 2000: nu metal, adolescência e o show da minha vida
Nos últimos dias fui tomada por uma nostalgia forte. Fui ao show do System of a Down — uma das bandas que mais marcou minha adolescência — e, por algumas horas, foi como se eu tivesse voltado no tempo. Como se aquela garota de 14 anos, que passava tardes inteiras ouvindo CDs riscados e decorando letras em inglês com o encarte na mão, estivesse de volta.
O início dos anos 2000 foi o ponto de partida da minha paixão por rock. Foi quando tudo começou a fazer sentido: a música, a estética, a atitude. Me apaixonei pelo nu metal, com toda sua agressividade emocional, peso nas guitarras e letras que falavam de raiva, injustiça, identidade. Era um gênero que misturava o som cru do metal com elementos do rap, do alternativo, do punk — tudo junto e descompassado, como a própria adolescência.
E essa mistura não ficou só na música: ela invadiu o meu guarda-roupa. Lembro de usar bermudas gigantes que mal ficavam na cintura, que eu descolava do guarda-roupa dos primos ou amigos, regatas cavadas, all stars riscados ou tênis pesados com meias compridas aparecendo, muitas pulseiras no braço. Nada era delicado, tudo era exagerado — e eu amava aquilo. Era meu jeito de existir no mundo.
Ao mesmo tempo, ouvia outras coisas que também marcaram os anos 2000: Avril Lavigne, Evanescence, Linkin Park, Slipknot, Pitty... Cada uma dessas bandas, à sua maneira, abriu portas para outras formas de rebeldia e expressão. Aquele início de década foi um caldeirão criativo, especialmente para quem, como eu, estava tentando descobrir quem era.
Quase 20 anos se passaram, e eu ainda amo tudo isso. Ainda escuto as mesmas músicas. Ainda acho lindas as camisetas de banda desbotadas. Ainda me identifico com a mistura de peso, melancolia e revolta que o nu metal carrega. A diferença é que hoje entendo melhor o porquê de tudo isso ter me tocado tanto: era mais do que estilo, era identidade. Era resistência.
Ver o System of a Down ao vivo foi como fechar um ciclo. Uma banda que sempre foi muito mais do que música — com letras políticas, ousadas, que nunca seguiram fórmulas fáceis — me fez lembrar o quanto a arte pode ser transformadora. E o quanto ela moldou não só minha adolescência, mas também a forma como vejo o mundo hoje.
Talvez seja por isso que continuo gostando de moda alternativa, de peças que não se encaixam nas tendências do momento, de tudo aquilo que remete ao que me formou. Porque carregar esses traços é também uma forma de não esquecer quem eu sou — e quem fui.






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